Banqueiros: nossos senhores ou servidores?

Para quem cultiva uma visão de mundo bastante binária, responder à pergunta acima pode ser tarefa bem trivial. Mas, quando aprendemos a olhar o horizonte além do maniqueísmo puro e simples, fica claro que nem tudo é preto no branco como gostaríamos que fosse.

Os bancos são grandes operadores financeiros, tradicionalmente investidos da importante função social de financiar o desenvolvimento econômico. Dito assim, faz parecer que são entidades acolhedoras preocupadas com o bem-estar de toda a sociedade. Porém, quem já bateu à porta de uma instituição financeira em busca de crédito, para tocar um projeto, e teve o pedido negado, pode ter impressão bem diversa da sobredita. E mesmo quem já saiu com o empréstimo aprovado pode ostentar opinião negativa sobre os estabelecimentos mercantis de crédito. Por quê?

Bancos não fabricam dinheiro. O que fazem é pegar o de quem neles deposita e emprestar a quem deles solicita. Ao depositante paga uma taxa módica, e do tomador de empréstimo cobra uma taxa escorchante. O lucro do banco, chamado de spread bancário, é esta diferença entre o juro que recebe do devedor e o juro que paga ao poupador. Pagando juros baixos e cobrando juros altos, sobra aos bancos um spread elevado, cuja necessidade de ser os banqueiros justificam culpando a grande inadimplência. Grande mentira, isso sim! A inadimplência não chega a 5% ao ano.

Então, o que justifica um banco que ganha cerca de 5% em cima de cada compra feita com o cartão de crédito que ele administra, mesmo tendo um custo de centavos, cobrar taxa de juros anual de 400% nesta modalidade? Além da pura ganância, resta a inegável concentração do sistema financeiro como explicação para a tal agiotagem que as entidades bancárias praticam. Há cinco grandes bancos no Brasil oligopolistas (Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil), e em todo mercado onde existe pouca concorrência quem paga caro é o consumidor.

É neste palco que entram em cena os bancos digitais. Eles surgem para ampliar a competição, forçar os outros bancos (varejistas) a suavizar o ágio sobre o rotativo do cartão, o cheque especial e empréstimos livres e direcionados. O que essas fintech não têm em termos de rede de agências, compensam oferecendo um relacionamento mais personalizado e taxas de juros mais civilizadas. Se com os anos ganharem a nossa preferência, quem sabe não estimulam os bancos de varejo a diminuírem a agiotagem aumentando sua contribuição social?

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